Produtividade do trigo do Cerrado alcança seis toneladas por hectare, frente a 2,8 t/ha da média nacional

Com uma produtividade de seis mil quilos por hectare, enquanto a média nacional é de 2,8 mil, o trigo do Cerrado chama atenção de técnicos e agrônomos do Paraná, de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul, estados que tradicionalmente cultivam o grão no País. Inapto para a produção do grão há algumas décadas, o bioma hoje também se destaca pela qualidade do produto que oferece à indústria de panificação.

O aumento expressivo da produtividade, que passou de 2,5 mil quilos por hectare em 1970 para 6 mil quilos em 2016, com a adoção das cultivares desenvolvidas pela Embrapa Cerrados (DF), centro de pesquisa que possibilitou a implantação das lavouras na região, foi um dos pontos apresentados pelo pesquisador Julio Albrecht aos 24 representantes da região Sul ligados à Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB).

“O Cerrado tem recorde de produtividade no Brasi e hoje é a terceira maior região produtora do Brasil, com cerca de 450 mil toneladas em 2017. E ainda temos os trigos de melhor qualidade para panificação do País, em função da genética que conseguimos e também das condições climáticas daqui”, garante o pesquisador.

Albrecht explica que esse resultado é fruto do trabalho de melhoramento genético, iniciado na década de 1970, a partir de variedades trazidas do sul do Brasil e do Centro Internacional de Melhoramento de Milho e Trigo (Cimmyt), do México, aliado ao clima diferenciado da região. Isso porque a colheita do grão em período de seca garante a qualidade industrial da produção, o que não ocorre nos estados do Sul.

O desafio da pesquisa foi justamente esse – desenvolver cultivares adaptadas à região do Cerrado. Além desse objetivo, os pesquisadores conseguiram ainda agregar às variedades uma força de glúten que as transformaram nas preferidas pela indústria de panificação. O pesquisador apresentou os diferenciais de algumas cultivares desenvolvidas pela Embrapa Cerrados, como a BRS 264, mais plantada na região, indicada para lavouras de Minas Gerais, Goiás e Distrito Federal, onde alcança produtividades de oito mil quilos por hectare, respectivamente. Ela é de ciclo super precoce, com desenvolvimento em 105 dias, e recomendada para plantio no sistema de produção integrado.

Outro ponto abordado por Albrecth foi a ausência de toxinas na farinha de trigo produzida no Cerrado do Brasil Central, porque nessa região não ocorre uma doença causada por fungo, chamada giberela, responsável por essa toxina. E mais uma vez o trigo produzido no Cerrado leva vantagem: “Nós somos livres dessa toxina. A nossa farinha é produzida dentro dos níveis internacionais, com quase zero da toxina produzida por esse fungo. Essa é outra grande vantagem no Cerrado do Brasil Central, produzir um trigo sem essas toxinas que são prejudiciais à saúde em determinados níveis”.

Sistemas integrados como opção
Aos integrantes da OCB o pesquisador Lourival Vilela abordou o uso de sistemas integrados, especialmente de lavoura e pecuária, como tecnologia capaz de aumentar a produtividade das áreas agrícolas. Ele falou da necessidade de os produtores rurais cuidarem dos pastos e realizarem os manejos adequados para garantir a sustentabilidade dos sistemas.

Vilela mostrou resultados de diferentes experimentos realizados no Centro-Oeste, com ênfase nos resultados obtidos em termos de produtividade. Em uma das propriedades onde foi implantado o sistema lavoura-pecuária, foram alcançadas as seguintes rentabilidades por hectare: soja – R$ 1.902,56; milho de verão – R$ 2.411,17; feijão – R$ 1.015,46; milho e gado – R$ 4.415,17; soja e gado – R$ 3.605,56.

Além de maior lucro, o pesquisador apresentou outras vantagens obtidas pelos sistemas integrados, como a intensificação do uso de mão de obra e maquinário. “A lavoura de soja ocupa apenas 42% do tempo das máquinas da propriedade. Já com o ILPF, os empregados e as máquinas ficam ocupadas 92% do tempo, praticamente o ano inteiro”, ressalta. Além disso, há uma melhoria já comprovada da qualidade química, física e biológica do solo com a implantação de pastagem nas lavouras.

A opção se mostrou interessante para os cooperados. “Conhecemos um pouco da tecnologia que é utilizada aqui para ver o que conseguimos extrair e levar para a nossa região, principalmente na questão relacionada ao manejo. Da própria palestra do Vilela, achei muito interessante o manejo da integração pecuária e agricultura. É isso o que temos que buscar, essa adaptação da realidade do Cerrado para a nossa realidade climática, os manejos diferenciados e a adaptação para o nosso nicho de mercado”, explica Leonardo Mafinni, gerente regional sul da Coperativa Agrícola Mista General Osório (Cotribá), de Ibirubá (RS). 

Jeferson Muhl, da Cooperativa dos Agricultores de Chapada (Coagril), também no Rio Grande do Sul, ressaltou a importância de buscar novos conhecimentos para melhorar seus trabalhos. “Nós viemos para conhecer uma outra realidade diferente da nossa. O conhecimento é muito importante e vimos muitas coisas proveitosas para usarmos lá”, afirma.

As palestras dos pesquisadores da Embrapa fazem parte da Capacitação na Cadeia Produtiva de Cereais de Inverno, organizada pelo Sistema OCB. A programação dos dias 6 e 7 de agosto incluiu ainda visitas técnicas a duas cooperativas, Cooperativa Agropecuária do Distrito Federal (Coopa-DF) e Cooperativa Agropecuária e Industrial (Cocari), em Cristalina (GO), para conhecer as lavouras, o moinho e o trabalho dessas instituições.

 

Foto: Fabiano Bastos
 
Juliana Miura (MTb 4563/DF)
Embrapa Cerrados

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